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2016-04-29

Uma visita ao Museu do Aljube

Uma visita ao Museu do Aljube

A estudar o Estado Novo e o 25 de abril na disciplina de história, o meu filho, que está no 6ºano, mostrou-se particularmente interessado na Pide, nas prisões, nas torturas. Acho que estava com dificuldade em perceber como é que aquelas coisas podiam acontecer. Lembrei-me então de levá-lo ao Museu do Aljube – Resistência e Liberdade.
O museu fica na antiga Cadeia do Aljube, que funcionou até 1965, e só o facto de sabermos que estamos numa prisão, no mesmo sítio onde, de facto, as pessoas estavam detidas e eram torturadas, tem um impacto enorme em nós. Vamos subindo escadas e imaginando como seria.
Um exercício que se torna ainda mais real quando chegamos aos curros. No Aljube existiam 14 curros (ou gavetas) que eram celas de isolamento, compartimentos com o tamanho aproximado de 1 metro x 2 metros, onde os presos ficavam fechados, sozinhos, praticamente sem luz e sem se conseguirem mexer, sem condições de higiene mínimas. No museu, foram reproduzidas algumas destas celas. É possível entrar, fechar a porta e imaginar mais ou menos como seria ficar ali preso durante meses, sem falar com ninguém, sem fazer nada. E numa deles há um vídeo onde antigos presos contam a sua experiência ali.
Para além disto, o museu conta em traços largos a experiência da falta de liberdade que se vivia no Estado Novo, referindo alguns dos modos de resistência (imprimir folhetos, viver na clandestinidade) e, finalmente, o que acontecia aos dissidentes que eram apanhados e presos (as fotografias tiradas na prisão, os interrogatórios,
as torturas). Há, depois, uma secção dedicada aos movimentos anti-colonialistas
e, por fim, evoca-se a revolução do 25 de Abril.
Embora haja alguns vídeos, não é um museu fácil para crianças muito pequenas porque exige que se leiam muitos cartazes explicativos ou então não se percebe grande coisa. Ou, em alternativa, exige que os pais vão dando as devidas explicações e chamando a atenção dos pequenos para alguns pormenores mais curiosos. Por exemplo, o meu filho gostou de mexer num telefone antigo, daqueles em que era necessário discar os números, lembram-se?
E duas boas notícias: a entrada é gratuita e a visita termina num café bastante simpático e com muitas iguarias saborosas.
[A fotografia do museu veio daqui]
 
[Sobre a autora:]
Sou a Maria João, sou alentejana e estou à beira dos 40. Sou mãe do António, de 12 anos, e do Pedro, de quase 8 anos. Sou jornalista. Gosto de escrever. E de ler e de ouvir música e de ir ao cinema e de ver espectáculos e de estar com os meus amigos e de comer e de dançar e de navegar na internet à procura de coisas bonitas. E é sobre tudo isto que escrevo no meu blogue, A Gata Christie.

Horário:  Aberto diariamente das 10.00 às 18.00. Encerra aos domingos e feriados.

Preço:  Entrada gratuita

Idades:  9-12 anos, Mais de 12 anos

Sítio:  Museu do Aljube

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